Principais conceitos que as PME’s não aplicam na preparação de suas Demonstrações Contábeis


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O objetivo deste artigo é destacar alguns conceitos contábeis que contadores e administradores deixam de aplicar na preparação das demonstrações contábeis, geralmente de pequenas e médias empresas e, consequentemente, podem resultar em tomadas de decisões equivocadas.


Sabemos que o administrador precisa conhecer contabilidade. Mas porque, e até que nível?


Alguns empresários e administradores tratam a contabilidade apenas como apuração de impostos e cumprimento das obrigações fiscais e sociais, e esquecem que a contabilidade pode auxiliá-los com informações úteis para a administração do negócio.


As demonstrações contábeis tem por objetivo fornecer informações a respeito da posição patrimonial e financeira, desempenho das operações e mudanças na posição financeira da empresa e, para a compreensão por parte dos usuários, estas demonstrações contábeis, devem ser preparadas de acordo com os princípios e normas contábeis aplicáveis em cada país. Desde 2007 o Brasil adota as normas internacionais de contabilidade.


Em nossas revisões de Empresas de Pequeno e Médio Porte (PME’s), identificamos algumas falhas que se repetem na preparação das demonstrações contábeis, decorrentes da não observação das normas. São elas:


· Falta de provisão para créditos de liquidação duvidosa no contas a receber (títulos vencidos ou clientes em dificuldades financeiras);


· Falta de segregação de ativos e passivos entre curto e longo prazo (separação do contas a receber, fornecedores e empréstimos por vencimentos);


· Falta de provisão para perda de estoques (itens obsoletos, baixa rotatividade);


· Falta de provisão para contingências (processos com expectativa de perda provável e futuro desembolso de caixa);


· Falta de reconhecimento de variação cambial de ativos e passivos por regime de competência (contas a receber e a pagar em moeda estrangeira);


· Falta de reconhecimento de impostos diferidos (diferença entre o regime de caixa e competência para os tributos); e


· Falta de reconhecimento da redução ao valor recuperável (impairment) de ativos (ativo imobilizado registrado com valor maior que o valor líquido de venda ou valor em uso).


Existem outras questões mais complexas que identificamos em nossas revisões, mas são particularidades de cada empresa e ramo de atividade, e que são discutidas com nossos clientes para melhor interpretação. Os casos citados acima, tratam-se de questões básicas da contabilidade que muitas vezes o contador ou o administrador não dão a atenção devida.


A maioria dos pontos destacados não tem efeito imediato no caixa da empresa. Mas os princípios contábeis, em especial ao princípio da Competência, determinam que as receitas e despesas devem ser reconhecidas na apuração do resultado do período a que se referem, simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente do recebimento ou do pagamento.


Então qual é a necessidade de o administrador conhecer contabilidade?


Vale destacar que além dos sócios, outros poderão utilizar as demonstrações contábeis para análise, como por exemplo, potenciais investidores, credores, bancos, clientes, etc. E as demonstrações contábeis preparadas de acordo com as normas também demonstra que a administração se preocupa com o controle e governança da empresa.


Seja qual for o tamanho da empresa, é importante que o administrador conheça contabilidade, pois, além da transparência, informações valiosas podem ser extraídas das demonstrações contábeis, desde que sejam preparadas corretamente, e contribuem para a gestão da empresa, inclusive para planejamento e projeções de cenários futuros, escolha de regime tributário mais adequado e aproveitamento de incentivos fiscais.


Humberto Tanaka

Sócio da Consultoria



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